Clube de Ténis do Estoril – 80 Anos

João Lagos

Um sócio alfacinha

A 10 de Junho de 1944, inaugurava-se o Estádio Nacional do Futebol e Atletismo no Jamor. Meses depois a 15 de Setembro, nascia João Lagos. Tanto os pais, como os tios e os avós jogavam ténis, assim, para o novo membro da família jogar ténis seria uma coisa natural.

Até à abertura, em 1945, dos courts de ténis públicos do Jamor, a família jogava num court que o avô tinha a meias com um vizinho junto à sua casa na Cruz Quebrada. Com a abertura destes courts, a família que era bastante numerosa vai lá jogar. De início, e antes de começar a jogar João limitava-se a ver os jogos e a apanhar as bolas. 

Quando entrou para o liceu Passos Manuel descobriu que o seu colega Manuel Salgado (um dos arquitetos do Centro Cultural de Belém) também jogava ténis no Clube da Parada, quando estava de férias em Cascais. Ainda chegam os dois a ir medir forças   em Monsanto. Seria em 1960 que os gémeos Roquette, colegas no colégio Clenardo que vai frequentar após o liceu, lhe falam de uns campeonatos no Estoril. Curioso, decide participar nesse ano no Campeonato do Sul, juniores. Venceria e percebe que até jogava “ umas coisas”. Mesmo tendo derrotado os seus amigos Roquette, um na meia-final e o outro na final, ficariam os melhores amigos toda a vida. A popularidade que vai granjear no CTE foi-lhe útil: «Ser campeão deu-me jeito. Organizei festas no Clube, as miúdas interessavam-se por mim e era disputado pelos meus novos amigos para ficar em casa deles». Como morava em Lisboa, ficava em casa dos gémeos sempre que havia campeonatos. Chegado o verão “mudava-se” para o Estoril usufruindo dos inúmeros convites dos amigos para ficar em casa deles. Para poupar, faz-se sócio temporário do clube. De qualquer forma, então como agora, ser jovem de 16 anos consome muito dinheiro. Lembrando-se de uma grande festa no court Central, aquando dos Campeonatos Internacionais, João Lagos, para ganhar “umas coroas” teve a ideia de organizar com os amigos Roquette festas no clube para os mais novos sem acesso aos raros dancings das redondezas. A iniciativa, que contou com a obvia autorização do clube, foi um sucesso que se repetiu várias vezes.

Olivio Guerreiro, João Roquette, João Lagos, Alfredo Vaz Pinto
Pedro Vasconcellos, Apleton Figueira e a Equipa de Israel
João Roquette, Pedro Vasconcelos, José Vilela e João Lagos

Entretanto, João Lagos continuava a jogar e a participar em todos os torneios (primeira, segunda e terceira categorias). Ganhava quase sempre, o que contraditoriamente era, para ele um problema. Como jogava mais que toda a gente as suas contas no clube eram grandes. Nessa época tudo era cobrado. Havia um valor de inscrição, pagavam-se os courts e as bolas também. Estas poderiam ser usadas, mais baratas ou novas. A escolha, porém tinha de ser consensual. Assim, se o adversário quisesse utilizar bolas novas, bolas novas teriam de ser.

No final dos torneios, a saudosa recepcionista Maria Rosa apresentava as contas. As dele eram sempre as mais  elevadas. É por essa razão que começa a organizar as tais festas.

Fora dos torneios jogava muitas vezes com os membros mais velhos do clube, nomeadamente o Dr. Armando Estrela Presidente do Clube e o comandante Fiúza por não haver muitos parceiros da sua idade.

Em 1962, já com18 anos, conhece no clube uma pessoa que determinaria uma importante mudança de rumo na sua vida. Tratava-se de José Almeida Araújo, que viveu mais de 20 anos no estrangeiro, o homem que criou  e ofereceu ao clube a primeira taça do torneio Geza Torok, seu grande Amigo. Almeida Araújo  – que viria a desenhar, mais tarde o edifício do actual CTE – desafia João Lagos a ir para Londres, onde o nível do ténis era muito superior, e a instalar-se, por uns tempos em sua casa. Seria pela sua mão que entraria no conceituado clube de ténis londrino, o Queen’s Club. Os tempos que passou na capital londrina foram uma verdadeira escola de vida para ele. Além de treinar e trabalhar ainda ajudaria o organizador de campeonatos internacionais de ténis, Appleton Figueira (representante também das marcas Dunlop e Fred Perry) a estabelecer contacto com jogadores internacionais.

De regresso a Lisboa, João Lagos sagrar-se-ia campeão em singulares três anos seguidos (1965, 1966 e 1967). Este sucesso, porém não o satisfez. Como referiu numa entrevista «Depois aborreci-me, era fácil demais ganhar o campeonato de Portugal, que era o mais importante na nossa carreira naqueles tempos. O que queríamos era jogar fora, mas isso não era uma coisa evidente. As dificuldades eram muitas. Tudo era muito difícil e, por isso, a minha carreira enquanto jogador foi muito limitada.»

João Lagos 2025

Em 1974, logo após a revolução, aposta, com sucesso, na criação da  escola de ténis João Lagos. Ao contrário do que seria expectável, tendo em conta o período que se vivia, o número de alunos aumenta rapidamente. Anos mais tarde, torna-se, como é por demais sabido, empresário e organizador de eventos desportivos, entre os quais, o Estoril Open que tutelará durante 25 anos.

Com o desacelerar da sua vida profissional, regressou, agora como sócio permanente, onde tudo começou: o Clube de Ténis do Estoril, onde continua a jogar 3 a 4 vezes por semana.

Para Deborah Fiúza – que com ele está a apostar na nova aventura do Pickleball, João Lagos não é só uma figura incontornável do ténis nacional. Para ela, «Se existe um bom ténis em Portugal a João Lagos se deve».

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