Clube de Ténis do Estoril – 80 Anos
Teresa Poppe e Margarida Monteiro
O futuro começa agora
Mais do que em qualquer outra altura – desde que o ténis existe – há um interesse crescente entre as camadas mais jovens por este desporto.
Apesar do Clube de Ténis do Estoril (CTE) ter tido, desde o início classes infantis e juvenis, o número actual de jovens praticantes é substancialmente maior. Tendo perdido com os anos um caracter elitista, o ténis é hoje praticado, em todo o país por milhares de jovens. Por outro lado, aqueles que querem levar mais a sério esta modalidade encontram hoje apoios institucionais que há quarenta ou cinquenta anos não existiam.
Nas entrevistas que temos feito no âmbito das comemorações dos 80 anos do CTE, procurámos ouvir não só aqueles que eram jovens quando o clube abriu as suas portas, em 1945, mas também aqueles que, ao longo dos anos continuaram a dar vida e razão de ser à existência do clube.
Desta vez, falámos com duas jovens e promissoras atletas: Teresa Poppe e Margarida Monteiro de, respectivamente, quase 17 e 15 anos.
Provenientes de famílias onde já alguém jogava ténis, começariam, ambas, bastante cedo a pegar numa raquete. Margarida aos quatro anos e Teresa aos cinco.
Obviamente, que de início era apenas um desporto que praticavam. Rapidamente se transformaria em paixão. Como a própria Teresa refere «só aos oito anos é que foi a sério.» Ao contrário de Margarida que esteve desde sempre ligada ao Clube de Ténis do Estoril, Teresa começaria por jogar no Clube D. Carlos, junto ao Guincho, na Quinta da Marinha e no Jamor antes de entrar para o clube aos 13 anos. No primeiro ano, suspenderia os treinos por dois ou três meses. Seria um período muito importantes para ela já que seria nessa altura que compreenderia que o que queria mesmo era jogar e ganhar. A competitividade, comum a ambas, é sem dúvida importante para quem quer levar o ténis a sério.
A uma nova geração de jogadores corresponde, agora, uma nova geração de treinadores. Se para os mais velhos as referência eram o Geza Torok e o Olívio Guerreiro, agora são o André Leite, o Luís Costa e o Tomás Morais. Estes têm um desafio maior pela frente e que é preparar jovens atletas cuja vida é bastante mais preenchida do que era há umas décadas..
No caso da Teresa e da Margarida, o estatuto de Alta Competição facilita-lhes, em algumas coisas, a vida escolar. Contudo, conjugar horários escolares, treinos diários e ter tempo para uma vida pessoal, não é fácil e acarreta, seguramente, algum stress. Acreditamos que a paixão pelo ténis ajuda a superar essas dificuldades.
Como tantos outros jovens, Teresa e Margarida sofreram o isolamento imposto pelo Covid 19 que as afastou de treinos em conjunto e torneios. Por ser mais jovem, Margarida apenas teria aulas teóricas on line e aproveitou a parede da garagem dos pais para bater bolas. Teresa, por estar mais avançada teria autorização para treinar no Jamor.
Margarida Monteiro tem participado em inúmeros torneios do clube e em campeonatos tanto nacionais como internacionais. Por ser uma das melhores jogadoras da sua idade, já foi selecionada, em anos anteriores, pela Touring team da Federação Portuguesa para participar em torneios nos Açores, Portugal e em França. Com o Clube de Ténis do Estoril – que apoia fortemente a competição –foi, em 2024, representar o clube num torneio na Suíça.
Já este ano, estaria presente, em Taroudant (Marrocos), num torneio organizado pela International Tennis Federation no qual chegaria às meias-finais.
Pelo seu lado, Teresa Poppe foi campeã nacional em singulares em 2020, vice campeã em singulares, pares e pares mistos em 2023 e campeã nacional de sub16, em pares e singulares, em 2024. Foi, ainda, selecionada pela Federação para representar Portugal em França na categoria de sub 12 (2020) e na Roménia em sub 14 (2023).
Ao contrário de Margarida Monteiro que pensa numa carreira ligada às Ciências com Biologia, Teresa que «ao princípio jogava só por piada» agora é aquilo que ela «se vê a fazer no futuro». A um ano de terminar o liceu, sonha já ir para os Estados Unidos fazer o curso de gestão de desporto. No final da nossa conversa, à pergunta “o que é que o clube representa para cada uma delas” Margarida respondeu com um sorriso aberto «Adoro o clube». A Teresa, com a contenção própria de quem está à beira de completar 17 anos disse «Para mim, o clube é uma segunda casa, onde passo mais tempo, onde jogo e faço amigos». E é isso que é importante.