Clube de Ténis do Estoril
80 Anos
Luís Campos Guerra
Honrar o passado e assegurar o futuro!
Presidente do Clube de Ténis do Estoril desde 2018, Luís Campos Guerra chegaria a este cargo, não de uma forma programada, mas com um objetivo claro, servir o Clube.
Preocupados com a situação que se vivia no Clube de Ténis do Estoril, um grupo de sócios iniciou o debate de soluções que evitassem a sua crescente degradação. Depois de várias reuniões e de muito trabalho realizado, o grupo decidiria candidatar-se à Direção.
Luís Campos Guerra, que no passado integrara outras Direções foi também convidado a pensar e discutir o futuro do Clube, ainda que numa posição de retaguarda, como se propôs. Contudo, quando chegou o momento de avançar com uma estrutura e uma proposta organizada, o grupo decidiu, por unanimidade, que seria ele a pessoa indicada para assumir a presidência.
Após argumentar, tentaria outras soluções, mas, o trabalho conjunto desenvolvido pelo grupo e a ligação afetiva ao Clube que mantinha desde a infância, falariam mais alto e o desafio foi aceite.

A sua entrada para sócio do Clube aconteceu muitos anos antes, quando tinha apenas dez anos. Vivia na Parede e até então, acompanhava o pai ao Clube Nacional de Ginástica – nas instalações do antigo Rádio Clube Português – onde este jogava ténis. Aos fins-de-semana iam muitas vezes ao Estádio Nacional, onde, com uma velha raquete de madeira do seu pai, grande e pesada – uma Dunlop Top Maxfly Fort – tentava as suas primeiras pancadas contra uma parede. Diz, por isso, com graça “acho que jogava mais críquete do que ténis”. Ao ver o seu gosto pelo ténis, o pai decidiria inscrevê-lo como sócio no clube de ténis mais credenciado da altura, o do Estoril. Na época (1976) a admissão de novos sócios era difícil, mas a sócia Fernanda Monteiro, figura muito conhecida do Ténis do Estoril, propôs a sua admissão.
Como sócio, a sua vida mudaria radicalmente e o Clube passaria a ocupar um lugar central na sua vida: colégio de manhã, almoço, trabalhos de casa a correr e só o obrigatório, e, de seguida, uma corrida para apanhar o comboio e chegar o mais rapidamente possível ao Clube de Ténis do Estoril.

Como tantos outros, antes e depois dele, a sua aprendizagem ficaria a dever-se muito a Geza Torok e a Olívio Guerreiro. Sobre estes professores afirma «podem não ter estado presentes na fundação do Clube, mas fazem parte da sua identidade e da relevância alcançada pelo Clube de Ténis do Estoril, estando seguramente no seu ADN e no coração de muitas gerações de sócios do Clube de Ténis do Estoril e de tantos outros jogadores de ténis».

Quando ingressou na Escola de ténis do CTE Luís Campos Guerra começou também a integrar as equipas que representavam o Clube de Ténis do Estoril. Enquanto jogador federado, representou sempre o seu clube de eleição, exceto na época 1984/1985 em que foi convidado por Miguel Soares, a integrar a equipa de interclubes pelo Clube Nacional de Ginástica da Parede. A equipa era, de facto, muito boa e acabaria por sagrar-se vice-campeã. Seria das suas últimas participações em provas oficiais.
Até ao 12º ano, o Clube seria a sua segunda casa e não, apenas o local onde jogava. Aqui encontrava-se com os amigos, fazia novas amizades, namoriscava e combinava outros programas como as idas à praia, ao Deck, ao cinema, às discotecas, etc.
No final dos anos de 80, o Clube teria de se mudar para as atuais instalações, que pertencem ao Turismo de Portugal. Essa passagem acontecia em 1991, ano em que Luís Campos Guerra estava a terminar o curso de Arquitetura, e como tal, um pouco afastado da vida do Clube.
No entanto, não deixa de salientar que “a par da formação que recebi dos meus pais, o Clube foi também o lugar onde cresci e me formei enquanto jovem e cidadão”. Essa consciência, impediu-o de deixar de ser sócio e de pagar a sua quota, mesmo quando deixou de jogar durante um longo período, ou quando a sua família cresceu, ou quando, por força das suas responsabilidades profissionais, não lhe sobrava tempo para jogar ou frequentar o Clube.

A ligação afetiva, porém, manter-se-ia intacta e diz, de forma perentória «sou sócio deste Clube, de forma orgulhosa e ininterrupta desde 1976, e é isto que me faz estar hoje aqui»

Em relação ao trabalho que vem desenvolvendo desde 2018, refere “não gosto de falar do meu trabalho, mas também não tenho falsa modéstia. Reconheço que, conseguimos recuperar e melhorar muito o Clube. O mérito não é meu, é de toda a equipa envolvida.”
Para esta Direção o Clube tinha de voltar a ser “muito mais do que apenas um local para praticar uma atividade física”. Tinha de recuperar a sua atratividade e a vertente da componente social que tivera durante décadas.
Para além do desafio do Covid 19, esta Direção teve de enfrentar muitos outros problemas: “a deriva organizacional e financeira em que o Clube se encontrava, a acentuada degradação das instalações e dos diversos equipamentos, a irrelevância do Clube perante a comunidade, e ainda a perceção generalizada que o Clube que se encontrava a definhar. Rapidamente percebemos que se não invertêssemos estas situações, o futuro do Clube estaria em perigo”.
Na ótica de Luís Campos Guerra o trabalho inicial foi muito penoso já que era necessário implementar uma reforma estrutural e sanar financeiramente o Clube, sem nunca descurar a componente humana. “Importava cativar e integrar os funcionários nos procedimentos de transformação, para que, em conjunto, pudéssemos pôr em prática o processo de reabilitação do clube”. A mensagem que Luís Campos Guerra transmitiria era clara e todos a terão compreendido, “enquanto o Clube estiver mal para a Direção, não conseguimos que esteja bom para vocês. Mas quando começar a estar bom para a Direção, vocês serão os primeiros beneficiados”. E assim foi.

Com este espírito de equipa e colaboração, a Direção conseguiu o apoio e mesmo o agradecimento de todos os colaboradores, independentemente da função que desempenham já que “todos são colegas, não há distinção entre os funcionários da limpeza, dos campos, da secretaria, ou da Direção. Todos fazem falta e todos são igualmente relevantes”.
Hoje, a situação financeira melhorou substancialmente e o espírito de entreajuda entre todos é cada vez mais forte e percetível, «somos uma equipa e estamos cá com o mesmo objetivo, honrar o passado do Clube de Ténis do Estoril e assegurar o seu futuro».
“Para a Direção e demais elementos dos corpos sociais do Clube, cujo trabalho não é remunerado, “o gozo é ver os resultados. É termos a noção que desde 2018 o número de alunos da escola aumentou 80% (de 300 para 540), com forte impacto na saúde financeira do Clube, e que a gestão e manutenção das instalações tem sido feita gradual e sistematicamente, com muito empenho, mas com os pés bem assentes na terra”.
E exemplifica “a primeira medida pensada pela Direção ao assumir funções em 2018, era remodelar e dar algum conforto à sala dos sócios que se encontrava num estado deplorável, com mobiliário velho, em más condições, desapropriado e desconexo”. Porém, isso só foi possível três anos após terem tomado posse. “Os percalços eram frequentes, todos os dias surgiam novas emergências: um cano rebentava, um poste caía, uma tampa partia-se, um painel tombava, etc.” Como até aí não havia manutenção periódica das instalações, tornava-se prioritário dar resposta imediata a estas situações, e a decoração da sala dos sócios teve de esperar. “Foi um período muito difícil durante o qual, a nossa secretária-geral, Maria João Durão foi, e ainda continua a ser, uma peça fundamental.”.
Luís Campos Guerra assumiria a direção em 2018. Meses depois, o Clube recebia o Estoril Open. Esta prova internacional inserida no circuito ATP 250 seria ganha pela primeira vez no nosso país, por um português, João Sousa, facto que o tornou sócio honorário do Clube, por proposta do seu novo Presidente.

Apesar de tudo o que foi feito, o Presidente considera que ainda há muito a fazer. “O Clube ainda não tem, a vida e a atratividade que nós gostávamos que tivesse, apesar dos esforços e dos avanços que gradualmente temos conseguido nessa vertente. O bridge, a par da diversificação das atividades que temos para oferecer, tem também contribuído para o incremento de dinâmicas no Clube. O grande desafio, no entanto, continua a ser cativar os mais jovens para a vivência e interação presencial no clube, em complemento à irreversível comunicação digital que caracteriza os nossos dias.”
Mantendo uma tradição que vem desde a sua origem, o Clube de Ténis do Estoril, tem hoje uma percentagem significativa de sócios estrangeiros, cerca de 40% da massa associativa, e integra 52 nacionalidades distintas. Os sócios provenientes doutros países, sobretudo, do norte da Europa, têm culturalmente uma tradição associativa mais vincada, acabando por ser, neste momento, os mais participativos.
Luís Campos Guerra acredita que esse envolvimento possa vir a contagiar os sócios nacionais, contrariando a usual passividade portuguesa, de quem espera sempre que outro dê o primeiro. passo.

Nas palavras do Presidente, “é importante e necessário dinamizar o Clube para além da vertente desportiva. Pelos seus estatutos, o Clube está aberto à comunidade e como tal, apto a receber eventos sociais ou de outra natureza. Em todo o caso, importa não descurar a importância de proporcionar aos sócios vantagens e regalias nas diferentes atividades que o Clube disponibiliza, incentivando a sua participação e sentido de pertença.”
Para esta Direção, “é fundamental honrar o passado, mas também preparar o futuro, ouvindo e dando resposta às aspirações dos sócios. Só com a participação de todos se poderá continuar a desenvolver e melhorar o nosso Clube de Ténis do Estoril, instituição que este ano celebra, orgulhosamente, os seus 80 anos”.
E o Presidente termina convidando, “venham celebrar connosco!”