Clube de Ténis do Estoril – 80 Anos

Pedro Abreu Loureiro

Três gerações com o ténis no coração

A família Abreu Loureiro é um caso de amor ao ténis e ao clube. Pedro Abreu Loureiro, a sua filha Alexandra e a sua neta Vitória são sócios activos, jogam vários dias por semana e têm aulas com o mesmo professor, Olívio Guerreiro. É caso para se dizer que os três têm o ténis e o clube no coração.

A ligação ao ténis de Pedro Abreu Loureiro é bastante antiga tendo começado a ter aulas aos 8 anos com Geza Torok, o professor mítico do clube. O que sempre o moveu foi o prazer de jogar e não a competição. Tendo optado pela medicina, a sua entrada na Faculdade, o internato e a especialização em cardiologia vão absorver praticamente todo o seu tempo afastando-o temporariamente dos campos. Assim, as suas memórias do clube antigo são curtas e relativas à sua infância e adolescência. Contudo, em jovem, fazia questão de frequentar as festas, que anualmente, o clube dava. Eram, na sua opinião, muito animadas e vinham preencher a lacuna da quase inexistência de discotecas nos Estoris. Dessas festas, relembra particularmente uma, porventura num aniversário do clube, durante a qual foi montada uma grande tenda no corte número um e teve orquestra a tocar até de madrugada.

Se é verdade que, a sua intensa actividade profissional não lhe permitiu frequentar o clube tanto quanto gostaria nunca deixou de ter – como confessou – o ténis no coração. Acrescentando depois, com graça, que, de qualquer modo, para que isso aconteça” também terá de ter um bom coração”.

Apesar de ainda estar no activo, Pedro Abreu Loureiro abrandou o seu ritmo de trabalho passando a ter mais tempo para ele. Retomou à quinta-feira o prazer de jogar. E diz, sorrindo «Não há melhor que o Clube de Ténis do Estoril».

Esta paixão pelo ténis e pelo clube seria transmitida aos seus descendentes nomeadamente à sua filha Alexandra e à neta Vitória.

António Capucho, Gonçalo Leite Faria, Pedro Fonseca e Pedro Abreu Loureiro

Alexandra começaria a jogar com seis, sete anos. Ela e os irmãos teriam aulas com Geza Torok e o professor assistente, Olívio Guerreiro. A chegada do verão e das férias grandes era sempre muito desejada já que o Clube se tornava numa espécie de campo de férias. Era o prazer de estar com os amigos, de jogar todos os dias e de poder “disputar” o prémio do “Jogo das 7 Bolas“. Como ninguém queria apanhar as bolas, Torok terá inventado esta espécie de jogo. Quem conseguisse colocar sete bolas na raquete e vir a correr deitá-las no cesto sem deixar cair nenhuma podia jogar mais sete bolas. Alexandra, que ainda hoje só joga de branco, refere que nessa altura era mesmo obrigatório ter a sua indumentária nessa cor. Quem não aparecesse de branco não jogava…

De Olívio Guerreiro, com quem joga há 40 anos, gosta de recordar que este é um mestre exemplar. Sempre atento, sempre cordial, sempre correto e que consegue ensinar sem nunca ser ríspido ou desagradável. Alexandra não se lembra de alguma vez o ter visto alterar esse seu comportamento.

Do Clube antigo propriamente dito, relembra duas figuras incontornáveis: a Maria Rosa recepcionista, que «começava sempre por dizer Não, mas depois lá facilitava» e a Ascensão, a senhora do bar a quem compravam as laranjadas e iam, nos dias de chuva, pedir o tabuleiro de Gamão para jogarem.

Quando a sua filha Vitória chegou aos quatro anos, levou-a a experimentar o ténis. Vitória experimentou, gostou e ficou. Hoje com 11 anos continua a praticar à sexta e ao sábado (embora lhe custe levantar cedo também no fim de semana). Frequenta desde sempre a Escola de Verão e tem ganho várias medalhas tendo mesmo em 2023 ficado em 1º Lugar.

Como todos se conhecem, é normal enquanto os filhos jogam os pais aproveitam para conversar uns com os outros enquanto bebem café. Referindo-se a este convívio permanente das gerações mais velhas, Alexandra brinca com uma frase de seu pai que, relembrando a mítica discoteca de Cascais,refere que o Clube “é o Van Gogh dos velhos”.

Mas para Vitória que ainda está no começo da sua vida o clube é o lugar onde faz amigos e, antes de partir para ir jogar, despede-se de nós com um sorriso largo e afirma muito segura «Gosto muito de jogar aqui».

Ainda bem, é bom sinal.

Vitória Abreu Loureiro , Olívio Guerreiro e Alexandra Abreu Loureiro
Telefone 21 466 27 70 Telemóvel 91 226 87 95
À Avenida Condes Barcelona, 808 · 2765-470 Estoril
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